Álvaro Brandão de Andrade
Patrono - Cadeira: 51
Álvaro
Brandão de Andrade, natural de Campanha, sul de Minas, nasceu em 1.º de outubro
de 1904. Filho de Álvaro Horta de Andrade e de Georgina Lima Brandão de
Andrade, família tradicional na região. Álvaro fez o curso primário no Colégio
São João, de Campanha, ginasial no Ginásio São Joaquim, de Lorena -SP, e
superior na Faculdade de Direito de Niterói-RJ, diplomando-se em 1931.
No
ginásio, recebeu educação de acordo com os princípios católicos e as normas
pedagógicas de D. Bosco (CEDOC, Unisul, 2003). A preocupação da escola era
formar homens de caráter, e, para isto, era necessário educar à vontade,
enriquecer a inteligência e preparar para a vida real. As aulas eram voltadas
para a educação cívica, exercícios de declamação, representações dramáticas no
teatro do Ginásio, conferências morais e religiosas, exercícios militares.
Lecionou
na própria escola em que estudou, em Campanha, e em Sete Lagoas, onde foi,
também, vice-diretor. Álvaro Brandão trouxe para o sertão do Triângulo Mineiro
uma formação das escolas confessionais de Campanha e de Lorena. Seu caminho
profissional encontrava-se pronto na área jurídica, contudo, os rumos
delinearam outro percurso. Casou-se com uma jovem da região triangulina, que
estudara no Colégio Sion, em Campanha, e adotaram Ituiutaba, no Pontal do
Triângulo Mineiro, para residência. Antes de dar início à criação do Instituto
Marden, ministrava, gratuitamente, aulas particulares para concluintes do curso
primário no Grupo Escolar João Pinheiro. Não havia escolas para continuarem
seus estudos. Neste ínterim, aguardava o pronunciamento da justiça para tomar
posse como promotor. Então, decidiu partir para a educação, acolhendo conselhos
para criar uma escola que atendesse à necessidade daqueles que não podiam
estudar em outras localidades.
Em
1933, deu-se o início das atividades, com o curso de adaptação, destinado ao
preparo de candidatos ao Curso Normal; o que originou a ideia de se criar uma
escola em que os egressos do curso primário pudessem prosseguir os estudos. Em
outubro de 1933, Dr. Álvaro – como era conhecido – implantou o Instituto
Marden, com o curso primário, com o início das atividades em 1934.
Dona
Alaíde Macedo de Andrade, sua esposa e inseparável colaboradora, era a
secretária, professora e diretora do internato. Em 1935, o Curso Normal começou
a funcionar, e teve sua primeira turma de concluintes em 1937; ano em que a
Escola Normal foi reconhecida. Em 1942, iniciou-se o curso Ginasial, e, em
1951, o curso noturno, com a denominação de Colégio Comercial Barão de Mauá e
os cursos: Ginasial, Comercial e Técnico em Contabilidade; com os primeiros
concluintes em 1953. Este curso muito beneficiou aqueles não podiam estudar
durante o dia. Em 1950, foi criado o curso Científico, para atender aos
mardenienses que não queriam estudar fora de Ituiutaba.
O dia
1.o de outubro era uma data muito importante: Dia do Mardeniense. Isto foi
determinado a partir de 1940, quando professores do Instituto Marden e da
Escola Normal Dr. Benedito Valadares criaram um decreto-lei, instituindo esta
data para prestar homenagens a seu diretor, por seu aniversário. Comemoravam-se
o aniversário de Dr. Álvaro Brandão de Andrade e a existência da escola Marden,
por meio de apresentações artístico-culturais, por professores e alunos, e a, obrigatória,
interpretação musical do hino do Instituto Marden, idealizado pelo professor
mardeniense Antônio Luiz de Souza, conhecido por Tonato. Em 1979, a Escola teve
suas atividades encerradas. Contudo, continua viva na história, na filosofia
mardeniense, na memória… em 21 de abril de 1997, foi criada a Associação
Mardeniense para Cidadania, com o objetivo de congregar os egressos, em
reuniões mensais, para estudar, confraternizar, relembrar momentos vividos
e o pensamento pedagógico implantado por Dr. Álvaro Brandão e perpetuar o nome
da Escola. A Associação teve como primeira presidente Ester Majadas de Araújo,
ex-aluna, ex-professora e ex-diretora da Escola. As duas primeiras reuniões
contaram com a presença de Dona Alaíde, que acolheu a Associação.
Foram
os acontecimentos políticos e educacionais no Brasil de 1930, da era Vargas,
que deram condições para a implantação do Instituto Marden. A ênfase à educação
era propagada política, como condição urgente para a melhoria de vida da
população, e para o progresso do País. Assim, para cumprir seu papel social,
seus iniciadores procuraram imprimir um pensamento que caracterizasse o
trabalho escolar, o pensamento mardeniense: inscrição de uma bandeira, lema de
um ensino, atitude de um sonhador que se dedicou à educação. A bandeira em
azul, a inscrição em branco, com letras nítidas, estava sempre ao lado da
bandeira do Brasil, nos acontecimentos cívicos e eventos da cidade e do
Colégio, retratando um estado de espírito, de lucidez e de engajamento próprios
da época.
É
evidente a presença da filosofia positivista no País, ávido de avanços, de
desenvolvimento e de crença na ciência, e ansioso por algo que inflamasse, que
levasse a juventude a crer na Pátria, no progresso, como condição de vida digna
dos cidadãos, e também, de soberania para o País. Este pensamento faz-se
presente na Oração do Mardeniense, de autoria do Dr. Álvaro, e sempre lida em
cerimônias do Colégio, como formaturas.
No
contexto, em que as ideias de Dewey tiveram repercussão e aplicação, por meio de
Anísio Teixeira, foi o pensador e escritor Orison Swett Marden o mais influente
na história de Dr. Álvaro e, consequentemente, na constituição do Instituto,
que carregou seu nome. De seus pensamentos, destaca-se: Sê perfeito em tudo que
fizeres, que foi o mais citado por Dr. Álvaro, em suas aulas de moral e
civismo. No jornal O Vencedor, da escola (Ano l – n.º 3), em uma notícia do
redator João Damasceno Ribeiro, em que se refere ao Dr. Álvaro como um grande
plasmador da juventude ituiutabana, relata que, em sua primeira aula do ano,
adotou, como base, a nota 10, dizendo que, quem tivesse 10 em tudo era
perfeito. E este pensamento não é de apenas um, mas da opinião dos ex-alunos.
Mesclados,
estes elementos despertaram a força motriz que se projeta para além do passado,
revivido na fala, no olhar, no gesto e no discurso de ex-alunos, de
ex-funcionários e de ex-professores, repletos de configurações que denotam a
filosofia e a pedagogia mardenienses.
Ao
analisar a postura e a personalidade daquele que instituiu o Instituto Marden,
Dr. Álvaro Brandão de Andrade, pode-se perceber reconhecimento e admiração pela
firmeza, perseverança e determinação em suas atitudes de educador, que, com sua
singular esposa, Alaíde Macedo de Andrade, representaram o verso e o anverso, a
quietude e a inquietude, o silêncio e a indagação, o tradicional e o novo, o
antigo e o moderno, a teoria e prática…
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